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O Caminho Inca é um trecho de uma antiga estrada inca pavimentada
com pedras que atravessa as montanhas acima do rio Urubamba e chega até
a cidade de Machupicchu no Peru.
Entretanto as estradas incas não se restringiram a este trajeto.
Elas ligavam Cusco em todas as direções da América do Sul formando
uma rede de comunicação de mais de 30.000 km.
Esta rede de estradas se estendia do centro do Equador até a
região central do Chile, ao sul, e da costa do oceano Pacífico até
as encostas orientais dos Andes.
O percurso deste trecho famoso que é conhecido como Caminho Inca
começa no km 82 da ferrovia Cusco/Quillabamba, atravessa as
montanhas acima da margem esquerda do rio Urubamba e chega até
Machupicchu depois de 4 dias de caminhada. São cerca de 42km de
extensão e a altitude máxima é de 4200 metros.
Durante o primeiro dia de caminhada o terreno é liso, sem pedras,
mas sobe continuamente. Alguns consideram esse como o dia mais difícil de todo o Caminho Inca,
pois apesar de ainda não se chegar às
grandes alturas o organismo ainda não está bem adaptado e sofre-se
muito com os efeitos da altitude também conhecido como "Soroche"
ou Mal da Montanha.
No segundo dia de caminhada a trilha fica cada vez mais íngreme
e o terreno cada vez mais irregular. A trilha eleva-se abruptamente em direção à primeira passagem,
Abra de Warmiwañuska ("passagem da mulher morta") a 4.200 metros acima do nível do mar. Geralmente
venta bastante neste local e o frio é intenso devido à altitude. É um momento para sentar (se você não desabar...),
descansar e admirar as lindas paisagens, mesmo que o tempo esteja nublado.
De Warmiwañuska a trilha é marcada por grandes descidas e algumas pequenas subidas. Muitos trechos
possuem calçamento original inca. Ao longo deste percurso existem os sítios arqueológicos de Runkuraqay, Sayacmarka, Puyupatamarka e Wynaywayña.
Os nomes da maioria dos lugares ao longo da trilha são originários da língua Quéchua e foram adaptados pelo guia do norte-americano
Hiram Bingham em sua expedição de 1915.
Runkuraqay ("pilha de ruínas") está a 3.850 metros de altitude.
Por causa de sua posição e da disposição de seus compartimentos,
acredita-se que o edifício tenha sido um tambo, um tipo de posto
para os viajantes que seguiam a trilha até Machupicchu. Tinha
áreas com dormitórios para os viajantes e instalações de estábulo
para seus animais domesticados. As paredes desta construção são do
tipo "pirka".
Sayacmarka foi explorada pela segunda expedição de Bingham em
1915, que lhe deu o nome de Cedrobamba ("planície de cedros"). Em
1941 uma expedição liderada por Paul Fejos explorou novamente o
lugar e rebatizou-a como Sayaqmarka, considerando sua localização
geográfica que domina visualmente todo o vale do rio Aobamba.
Dentro da cidadela existem diversas construções feitas com certa
complexidade por terem sido adaptadas à forma da montanha,
incluindo-se um aqueduto de pedra que uma vez levou água para o
local. As paredes são sólidas e a forma da fortaleza pode ser
vista facilmente de longe.
Puyupatamarka ("lugar sobre as nuvens") está a 3.680 metros de
altitude. Assim como os outros, este grupo arqueológico também foi
descoberto por Bingham em 1915, mas foi Paul Fejos quem em 1941 o
rebatizou com o nome de "Puyupatamarka" em razão de que este
lugar, quase sempre, se acha por sobre a neblina e as nuvens que
se formam nos vales ao redor. Estas ruínas estão numa área de onde
visualmente é possível controlar um amplo território e
possivelmente foi um importante núcleo administrativo e religioso.
Destaca-se neste conjunto uma plataforma de forma quase ovalar e
uma série de estruturas retangulares alinhadas ao longo de um dos
lados com canais por onde ainda escorre a água a partir do nível
mais alto. Alguns acreditam que essas estruturas eram banhos com
alguma função ritual.
Wynaywayña foi revelada por Paul Fejos
em 1941. Posteriormente, em 1942, o arqueólogo peruano Julio C.
Tello rebatizou o lugar com o nome de Wiñaywayna ("jovem para
sempre") que também é o nome quéchua de uma espécie de orquídea, (Epidendrum
secundum), muito comum nas redondezas. Neste grupo arqueológico se
encontram diversas construções bem trabalhadas, entre elas se
destaca uma na parte superior conhecida como "torre" construída
parcialmente com pedras trabalhadas; uma sucessão de 10 fontes
rituais do lado direito que são clássicas em todos os povoados
importantes e também o setor agrícola com grande quantidade de
terraços artificiais. Mais abaixo estão outras construções na
borda do precipício, com paredes do tipo "pirka", de onde se tem
uma vista maravilhosa da parte inferior das montanhas. Em direção
ao noroeste chega-se até "Intipata" ("lugar do sol") consistindo
essencialmente de terraços artificiais para uso agrícola.
A etapa final da trilha inca a partir de Wiñaywayna é através de
um impressionante caminho talhado com maestria na montanha, em
cujo lado direito está um profundo precipício. É uma caminhada
fácil, seguindo pela trilha larga e por entre um bosque bem
arejado. Depois de mais ou menos uma hora, a trilha se estreita
em degraus que conduzem acima até uma pequena estrutura de pedra
com um chão de grama de alguns metros quadrados. Este é Intipunku
("porta do sol") situado à 2.650 metros de altitude.
Possivelmente foi uma espécie de alfândega para controlar a entrada de quem chegava à eterna cidade.
De intipunku se tem a fantástica visão panorâmica de Machupicchu.
Pela conjunção destas intrigantes ruínas com as espetaculares paisagens que oferece
aos viajantes durante os dias de caminhada o Caminho Inca é uma das rotas de trekking mais famosas do mundo.
Percorrer o Caminho Inca é reviver o modo como os incas faziam
para chegar a Machupicchu. Devido à altitude e ao esforço
requerido nos dois primeiros dias de caminhada é um momento de
superação e um desafio pessoal.
Mesmo diante de todas essas informações estamos conscientes de que qualquer tentativa de explicar o que está por trás do encantamento
do Caminho Inca e de Machupicchu será em vão. Beleza, mistério e
magia não podem ser explicados, você tem que experienciar do seu
próprio jeito.
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